Modelo brasileira divulga arte indígena nos maiores centros de moda do mundo

Thayná Soares

A modelo brasileira de origem caiçara, Thayná Soares, tem compartilhado sua admiração pelo artesanato indígena nas capitais europeias da moda e participa de um projeto de venda de arte destes povos que visa a proteger estas comunidades do coronavírus

Peças de artesanato indígena estão circulando por Paris e outras cidades europeias que são referência em moda internacional. A responsável é a modelo brasileira Thayná Soares, que mora na capital francesa e é uma grande fã do trabalho dos povos originários do Brasil. “Eu uso muito essas peças em Paris e várias pessoas da moda mundial se apaixonam. Sempre que vou fazer castings e desfiles eu levo, muitos vêm me perguntar sobre elas e eu já aproveito para explicar sobre sua origem e a etnia que a produziu”, conta. Descendente de índios Tupi-Guarani, negros e europeus, Thayná representa o típico biotipo caiçara, identidade que ela ostenta com orgulho em seus trabalhos realizados para as mais renomadas grifes, como Giorgio Armani, Givenchy, Azzedine, Alaia Paris, Hermes e Balmain. Trabalhos que podem ser vistos em seu Instagram, onde @thaynasoare_, acumula 17,5 mil seguidores.

Natural de Paraty, no Estado do Rio de Janeiro, a fluminense entende que estes produtos ainda são desvalorizados pelos brasileiros e espera que o reconhecimento obtido em outros lugares do mundo ajude a mudar o entendimento em seu país de origem. “Eu sempre fui consumidora de arte indígena, desde a época em que eu morava em Paraty, e eu continuo utilizando aqui na Europa, cada vez que consumimos esta arte, consumimos e valorizamos esta cultura”, explica a top model.

Recentemente ela abraçou uma iniciativa para colaborar com estas comunidades. Thayná veio ao Brasil em novembro e cedeu sua imagem em uma sessão de fotografias com diversas peças produzidas por variadas comunidades indígenas do Brasil. O convite foi feito pela empresária Nina Taterka, criadora da C.A.N.O.A – Centro de Artes Nativas Originárias das Américas,  que vende os produtos no site https://www.artecanoa.com/. Nina lançou, durante a pandemia, a ideia de comprar os ítens diretamente dos produtores e revendê-los em seu site para evitar que estas populações se exponham ao novo coronavírus. “Nas fotografias a gente traz a ideia de que se pode usar adereços indígenas com roupa não indígena e com artigos de luxo, super combina, podemos mesclar estes ítens à alta costura”, destaca Thayná.

Thayná Soares

A proposta não apenas evita que estes povos precisem receber pessoas de fora de suas comunidades ou que tenham que ir a cidades vender seus produtos, o que causaria risco de contaminação, é também uma forma de incentivar o trabalho destas populações e permitir que mantenham seu estilo de vida nas aldeias. “Eles foram muito impactados pela pandemia e esta é uma forma de ajudá-los e se manterem, eles dependem destas vendas”, ressalta a modelo. O retorno tem sido positivo dentro e fora do Brasil. Não apenas financeiramente, mas também na divulgação destas culturas. No site, cada peça vem acompanhada de uma explicação sobre onde foi produzida e por qual etnia. Thayná ressalta que a valorização tem que ser cultural e financeira. “É importante divulgar estes trabalhos e mostrar seu valor cultural, mas temos que criar também a consciência no público sobre o valor material destas peças, pois muita gente paga milhares de reais por um artigo de uma grife famosa e se recusa a pagar o preço exigido por um produtor indígena, que muitas vezes levou mais de um mês produzindo aquele único produto”, afirma. No site há ítens como cestas, colares, brincos e utensílios de cozinha. Uma gama de técnicas, materiais e estilos. Thayná não esconde a empolgação, “tenho certeza de que as pessoas que visitarem o site vão amar os produtos”, elogia.

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